Há dois dias eu estava correndo, cruzando a cidade da da Zona Sul para a Zona Norte, completando 3 horas dirigindo. Atrasado, sem almoçar, estressado e ansioso, amaldiçoei o tráfego (apesar de ter prometido não fazer mais isso). Foi quando tive um estalo e passei a pensar na conversa que tinha tido com um membro da minha equipe quando fazia o caminho de ida (Zona Norte – Zona Sul).
Tínhamos marcado de almoçar para colocar algumas questões em dia. Mas por conta de uma série de imprevistos e chamados urgentes, o almoço se transformou em apenas uma carona – o trajeto de aproximadamente uma hora seria usado para conversarmos e eu voltaria para a minha mesa e as minhas pendências. Quando, ao pegá-la, informei a mudança de planos, ela me devolveu: -”eu sabia que você ia me enrolar”. Respondi que não, que uma série de problemas aguardavam a minha presença e etc… por isso precisaríamos correr. Mas no caminho de volta pensei sobre isso – e percebi que ela estava certa.
Até hoje eu odiava admitir isso, mas eu não estou apenas com a agenda cheia, desmarcando compromissos, atrasado para reuniões, esquecendo de eventos pessoais e assuntos importantes. Eu criei todo o caos que gira em torno de mim porque eu sou um viciado no rush – dependente da adrenalina da pressão por fazer cada vez mais em cada vez menos tempo.
Essa é a verdade que molda toda a minha vida, tanto em casa como no trabalho. Mas isso implica em uma falta de tempo crônica – pessoal e profissional – e inclusive para atualizar esse bom e velho blog.

Não esquecerei esse dia. Pelo contrário, eu sempre fui fascinado pela maneira como certos momentos simples e fugazes que poderiam passar despercebidos – acabam moldando nossas carreiras ou alterando completamente nossas vidas. Eu poderia não ter dado atenção ao que ela falou ou ela poderia ter decidido não chamar a minha atenção. Ela precisou de coragem para dizer o que disse e eu serei eternamente grato por isso. Também estou grato porque estava disposto a ouvir naquele dia. O que nem sempre foi o meu caso.
Aprendi duas coisas especiais nesse dia:
A primeira é a importância de criarmos ambientes onde a outra pessoa se sinta confortável para lhe dizer algo importante, algo verdadeiro, mas que provavelmente nós não queremos ouvir.
A segunda coisa é que preciso me esforçar mais para, com pequenos ajustes e métodos de organização – associados à capacidade de dizer não para algumas “urgências” que explodem todos os dias, conseguir estar mais junto no dia a dia da minha equipe, disposto a ouvir e prestar atenção.
Precisarei administrar as distrações e a sobrecarga de informações, mas a minha maior motivação será sempre que percebi o quanto podemos realizar pelo simples fato de estarmos presentes.
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